terça-feira, 13 de janeiro de 2015

CRISE INSTITUCIONAL OU MORAL

A presidente Dilma Rousseff, reeleita, em seu discurso de posse, anunciou o novo lema de seu governo: "BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA". 
Salientou que a educação será a “prioridade das prioridades” e que buscará em todas as ações do governo "um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e um sentimento republicano".
O novo ministro da Educação, Cid Gomes, reiterou os compromissos anunciados pela presidente, enfatizando a reforma do ensino médio e o diálogo com os professores.

Uma pergunta: porque a presidente não deu a devida importância à educação na gestão anterior?

Certa vez, em uma conversa, recebi a seguinte crítica (obviamente, talvez, não depreciativa, mas, como mera observação): “William, você pensa demais”...
Quando ouvi esse "lema" anunciado pela presidente Dilma, não tive outra alternativa, comecei “pensar”...

1. Posso dar credibilidade a chefe do Executivo no momento que se utiliza de um lema que, até o presente momento, ela própria, jamais, prestigiou (a educação)?
2. A Pátria para ser “educadora” não deveria, primeiro, TER, AO MENOS, EM SUAS AUTORIDADES, PESSOAS EDUCADAS?

Desta vez, para fazer minhas argumentações, escreverei de forma um tanto “recheada” de recalque, desculpem-me...
Todos os dias, ao sair de minha casa, percebi que tenho, primeiro, de meditar e, até, “entrar em estado contemplativo” para evitar discussões no trânsito e conviver com a educação daqueles que avançam o sinal de trânsito em vermelho, ultrapassam pela direita, estacionam em vagas para portadores de necessidades especiais, param seus carros sobre as calçadas, etc...
Passando pelas marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo, assisto com tristeza a extrema poluição daqueles rios; estamos “matando” a natureza.
Nas escolas, que deveriam ser uma continuidade de nossos lares, fico perplexo pela leviandade e falta de amor ao ensino e à cultura; os jovens, desde a iniciação, somente tomam conhecimento de seus “direitos”; quase nunca se discutem os deveres. Certa vez, saindo de minha faculdade onde estudo em Campinas SP, observei doze jovens sentados na entrada... ONZE “dedilhavam” seus celulares e, apenas UM, LIA UM LIVRO.
Na cidade de Campinas, existe uma quantidade imensa de moradores de rua que vivem jogados e desprovidos de quaisquer meios de reação contra os vícios, pobreza, depressão, doenças, ... Vendo esses irmãos, chego a conclusão que, para eles, não há degrau mais baixo ou deprimente; chegaram na última instância do abandono. Se são drogados, bêbados, depressivos, doentes ou qualquer outra espécie, não interessa, mesmo que tenham exercido o “livre arbítrio”, são seres humanos.
Hoje, 12 de janeiro de 2015, assisti mais uma morte causada por um policial do Rio de Janeiro RJ, quando perseguia um veículo e, disparando seu fuzil (sem qualquer cuidado) feriu, mortalmente, uma jovem. Na filmagem, notei a forma como os policiais conversam durante a ação (gírias chulas). TOTALMENTE, desequilibrado e despreparado, esse policial atirou. Quando eu estava em atividade nas Forças Armadas (Exército), aprendi que “minha reação DEVERIA ser na MESMA MEDIDA QUANTO A INJUSTA AGRESSÃO. Pergunto: assistindo as imagens, qual foi a “injusta agressão” sofrida por aquele policial? Quantas mortes já ocorreram em casos semelhantes? Ainda, falando em “força militar”, até mesmo nesse segmento, com tristeza e constrangimento assisto e confirmo a instituição envolvida em fraudes e  corrupção. Também, pela ausência de comprometimento de militares mais antigos e experientes, os mais modernos iniciam a carreira já impregnados pela preguiça e outros vícios incompatíveis com as virtudes militares. Dessa forma, a “força militar” tem perdido a credibilidade perante a sociedade.
Em nossos locais de laser temos as ciclovias, os locais para corredores (para caminhadas ou corridas a pé), locais destinados para skates e patins. Observem e vejam se estou certo: muitos ciclistas “voam” com suas bikes onde estão os pedestres e crianças (nas calçadas ou locais dos pedestres), alguns “poderosos” passeiam com seus “pitbulls” / “rotivailers” (sem focinheiras) deixando pelo caminho as fezes de seus bichinhos de estimação, os patinadores e skatistas, às vezes, atropelam alguém e, por fim, o “infeliz pedestre” em seus treinos ou caminhadas desenvolvem o “sentido de alerta” para não ser atropelado, mordido ou, ainda, pisar “em campos minados” deixados como se armadilhas fossem (as fezes dos animais). E, pior, não ouse falar nada para esses cidadãos que poderão, inclusive, dizerem: “vá procurar pelo seu direito” ou “você não sabe com quem está falando”.
Quem já não presenciou o “périplo” de um pai por toda a cidade para conseguir atendimento médico para o filho?
Quem já não presenciou o descaso com os idosos?
Quem já não presenciou um parto em corredores de hospital?
Quantas crianças sem escolas?
Quantas escolas em péssimo estado? 
E os professores? Sem a formação mínima para educar nossas crianças e jovens... 
E os presídios, verdadeiras “faculdades do crime”, onde seres humanos são “amontoados” como animais em cativeiros da pior espécie? Esses locais não teriam uma função de ressocializar o preso? Não seria um local destinado, também, para a reeducação?
E as fraudes em licitações para merendas escolares, materiais escolares, reformas das escolas, ...?
E o serviço público quase falido?
E os “superfaturamentos” das obras para a copa do mundo?
Quanto crédito desviado para as campanhas políticas?
E as promessas bizarras feitas pelos políticos em campanha?
E os cargos públicos ocupados “pelos fichas-sujas”?

......
Tivemos a morte do Cabo do Exército que estava em missão na favela da maré, no Rio de Janeiro; falo do Cabo Mikami, de Campinas SP. Assisti um vídeo postado no “YouTube”, por um “jovem” daquela comunidade quando, ao mesmo tempo que filmava os “restos” da cabeça do militar morto, ainda, brinca e faz comentários enaltecendo as manobras dos traficantes (a maneira como o morador brinca com o fato  é deprimente); esse “pobre infeliz” foi educado e convive naquela realidade...
Lendo a “revista Veja” encontrei uma matéria sobre o Senador Pedro Simon (PMDB-RS), que diz: “Nunca vi um momento tão dramático. Estamos diante de um dos maiores escândalos de corrupção do mundo”. Preciso fazer qualquer comentário? Lembremos do “mensalão”, da “Petrobras”, do “dinheiro nas cuecas”. De fato, a corrupção atingiu dimensões nunca, jamais, vista; até ouso plagiar: “nunca na história desse país se viu tanta corrupção”.

Como posso deixar de lembrar o atentado na França, quando, radicais mataram pessoas por conta de nada? Mesmo que “cartunistas” tenham ofendido um grupo ou, até, uma civilização, NADA justifica um atentado daquela magnitude e efeito “imoral”; matar alguém é ofender o mais precioso direito: a vida. 
Diante desse triste fato, os franceses saíram às ruas... Fiquei perplexo diante da demonstração de sua cultura e EDUCAÇÃO. Nada de tumulto, quebra-quebra. Apenas “ordem”, indignação, emoção, educação, cultura. De verdade? Fiquei envergonhado comparando AQUELA EDUCAÇÃO COM A NOSSA EDUCAÇÃO.

Diante desse desabafo, será que esse “lema da presidente Dilma” pode ser aplicado no momento brasileiro?
Como a presidente pode “soltar” um lema com essa representatividade se, ainda, nem demos os primeiros passos sobre “educação”?
Afinal, para que a Pátria seja educadora, PRIMEIRO, por uma atitude MORAL de quem possui competência, deveria refletir sobre esses “problemas” que parecem, cada dia, mais graves.

Eu, utilizaria não um lema, mas, um pensamento: “Brasil, desculpe pelo que, até hoje, foi realizado contra essa Nação. Prometo: serei honesto e, juro, fazer cumprir a Constituição Federal e valer as Leis e Normas para todos, sem exceção. Assim, eu prometo”.

Acredito que, qualquer ser humano, colocado em sua função regulamentar se, assim proceder, conseguirá EDUCAR O BRASIL.


OBS.: se alguém tiver coragem, assista o vídeo pelo endereço abaixo. Se refere ao comentário do “pobre infeliz” quando filmou após a morte do Cabo Mikami. Aproveito para deixá-los curiosos: voltando ao passado, pesquisem pela internet para saber quem foi MARIO KOZEL FILHO...

http://youtu.be/UCasnYqWz4M

Obrigado

William Amaral

Um comentário:

  1. Caro Major William,

    Toda a indignação expressada em seu texto também é sentida por mim.

    De fato, como falar no lema "pátria educadora" se dos políticos/gestores do país sequer é exigido um curso superior em administração?

    Como falar em "pátria educadora" quando o próprio Ministro da Educação afirma que os professores não deveriam se importar com seus salários, mas sim trabalhar apenas por amor? Acaso isto não deveria ser uma prerrogativa para ser político?

    Outro ponto importante que mencionou no texto: os brasileiros, em geral, sabem muito bem exigir e esbravejar por seus "direitos", mas relevam seus DEVERES, às vezes um dever simples como trafegar dentro do limite de velocidade da via ou não falando ao celular.

    Emblemática a visão dos 11 jovens entretidos em seus celulares perto do "anormal" lendo seu livro... Isto comprova que estamos a anos luz da tão almejada educação.

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